Espanhol detido no Brasil estava foragido desde 2001 no país

07 Dezembro 2018 16:34:10

Carlos García Juliá, o espanhol detido há dois dias em São Paulo por ter participado de um massacre terrorista em Madri em 1977, estava foragido no Brasil desde 2001 e utilizava uma identidade falsa venezuelana. Ele entrou no Brasil pela cidade de Pacaraima, no estado de Roraima, explicou o representante regional da Interpol em São Paulo, Reinaldo Campos Sperandio.

O detido, no entanto, solicitou um visto provisório apenas em 2009, quando alegou que era motorista de Uber, acrescentou Campos Sperandio durante uma entrevista coletiva conjunta realizada na capital paulista com representantes da Polícia Federal brasileira e da Polícia Nacional da Espanha. 

García Juliá foi registrado antes pelas autoridades brasileiras como um cidadão venezuelano com a identidade de Genaro Antonio Materan Flores. 

Ele foi detido na noite de quarta-feira (5) perto de sua residência, no bairro da Barra Funda, depois de uma longa e árdua investigação conjunta entre as autoridades espanholas e brasileiras e que contou com a colaboração da Interpol. 

Os trabalhos no Brasil começaram em maio deste ano, quando a presença do criminoso foi identificada em São Paulo, de acordo com o superintendente regional da Polícia Federal (PF), Disney Rosseti. 

As autoridades espanholas solicitaram ao Brasil a detenção com fins de extradição, embora o pedido por parte da Espanha ainda não tenha sido apresentado formalmente. 

"Importante determinar que foi um trabalho árduo, com muita metodologia e muito sistema. Tínhamos notícias de que ele poderia estar em algum país da América Latina e que estava usando uma identidade falsa. Trocamos dados com diversos países. Tivemos a sorte e o trabalho de encontrar uma pista importante", afirmou o delegado Marcos Frias Barbens, da Polícia Nacional da Espanha. 

Carlos García Juliá cumpriu 14 dos 193 anos de prisão aos quais foi condenado em 1980 por cinco assassinatos e quatro tentativas de homicídio. 

Em 1994, Garcia Juliá recebeu uma permissão para viajar ao Paraguai por uma proposta de trabalho, mas a decisão foi revogada pouco depois e a Espanha solicitou seu retorno imediato para terminar de cumprir a pena. O condenado desapareceu e iniciou então uma história de fugas pela América Latina. 

Desde que desapareceu na Bolívia, onde viveu por um tempo e foi preso por um crime relacionado ao narcotráfico, García Juliá teve a presença detectada no Chile, na Argentina, na Venezuela e no Brasil, por onde transitava graças a documentos em nome de outras pessoas, disse a polícia espanhola.



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